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Como lidar com os afetos no intercâmbio

Como lidar com os afetos no intercâmbio

No preparo para o meu intercâmbio estive em contato com pessoas que já haviam morado fora do Brasil a fim de me preparar melhor com as “dicas” e idéias de como seria viver longe de casa. O que mais escutei dessas pessoas foi que o intercâmbio é muito mais intenso no quesito afeto do que qualquer um poderia imaginar antes de chegar.

Hoje, quase 1 ano e meio na Irlanda, o que mais escuto dos meus colegas é o quanto os afetos se intensificam no intercâmbio e como amigos e família nascem com tanta facilidade nesse período. Mas o que são exatamente esses afetos? Como eles nos influenciam no dia-a-dia e porque isso se torna tão intenso fora de casa?

Afeto é o “conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos e paixões, acompanhados sempre de impressão de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou de tristeza” (Codo e Gazzotti, 1999: 48-59).

Emoções como: extrema felicidade, sentimento da tão famosa “deprê”, saudades, vontade de voltar pra casa, vontade de ficar e desbravar o mundo, enfim, tudo isso é um eterno vai e volta a toda hora.

Quando nascemos os afetos iniciais são responsáveis pela formação de quem somos. Winnicott por exemplo apresenta a relação mãe-bebê e a importância disso para o desenvolvimento psicológico da criança. Também é possível pensar que os afetos que possuímos está relacionado com a nossa forma de ver e de nos relacionar com o mundo ao nosso redor. Quando gostamos de alguém ou de uma atitude de um político ou quando não gostamos; quando nos expressamos para defender o que acreditamos, quando ajudamos em uma causa, enfim, os afetos nos movem momento a momento em busca de algo.

Tendo isso como base, quando nos distanciamos de tudo que é sabido, de tudo que é conhecido e onde já existe um afeto instalado, ou seja, a nossa zona de conforto, é natural que nosso psíquico inicie um novo processo de adaptação através dos afetos. No entanto não somos mais crianças e não temos nossa mãe por perto, por isso a figura materna e os laços familiares e de amizades tornam-se objetivos imediatos, como de sobrevivência.

Interessante é que nós nos movemos, até mesmo sem saber o que estamos fazendo, a fim de alcançar esse nível de afeto necessário para sobreviver psiquicamente. Porém, o risco que corremos ao nos relacionarmos de maneira tão intensa pode ser gigante, resultando em grandes frustrações emocionais. Como então lidar com essa desventura de afetos?

As pessoas tentam incansavelmente controlar as emoções e chegar ao ponto de não ser afetado com nada, apenas viver plenamente. Porém, eu diria que isso é pura ilusão! As emoções e os sentimentos que temos são parte de nós, é o que nos torna autênticos. Claro que na maioria das vezes, e eu diria, principalmente no intercâmbio, tudo pode se descontrolar, sair do lugar e nos deixar loucos, contudo, emoções conhecidas são emoções melhor “controladas” e momentos melhores vividos. Uma vida perfeita nunca será possível, mas saber lidar com o que você é e então com o que está a sua volta te afetando (bem ou mal), fará toda a diferença!

Então, mais uma vez a terapia é citada no processo de intercâmbio. Afinal, terapia é também um pouco isto: uma rara ocasião de aprofundar o pensamento em coisas que, à primeira vista, parecem ser meras questões de opinião, já resolvidas, (como o surgimento de afetos e a decisão por baní-los ou simplesmente “fingir demência” da sua existência), mas que, na verdade, precisam ser pensadas (Sapienza, 2015).

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